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Mulheres na TI

Mulheres na TI

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A área da Tecnologia de Informação (T.I.) é um setor do mercado relativamente novo. A popularização do computador como ferramenta de trabalho no mercado acelerou processos burocráticos, e criou novas demandas técnicas por parte das empresas. A necessidade da otimização do software criou uma grande demanda por profissionais na área da programação. Antes predominantes na informática, as mulheres têm perdido o espaço na computação, e cada vez mais se tornaram raridade na área.

Antes da popularização do computador pessoal (PC), na década de 1970, o computador era uma ferramenta extremamente técnica, usado para cálculos e processamento de dados. Além disso, os cursos de bacharelado em matemática tinham grande presença do público feminino, que muitas vezes seguiam para a área do secretariado, onde elas estabeleciam contato com os computadores.

Eliane Pozzebon, coordenadora do curso de Engenharia da Computação da Universidade Federal de Santa Catarina, conta que a informática não era uma área valorizada na década de 1970, por conta do pouco poder de processamento das máquinas. "O trabalho com os computadores era braçal e repetitivo, então acabava sendo realizado mais por mulheres". Por causa disso, as mulheres eram maioria na área da informática. Entretanto, a popularização dos PCs teve um marketing muito direcionado para o público masculino, que, com o tempo, mudou o cenário da computação; as mulheres deixaram de ser maioria, e passaram a ser minoria.

Programadoras do ENIAC, primeiro computador digital eletrônico da História

O trabalho com os computadores era braçal e repetitivo, então acabava sendo realizado mais por mulheres.

Eliane Pozzebon, coordenadora do curso de Eng. da Computação da UFSC

Saímos da universidade, por exemplo, e não há um plano de egressos que oportunize a conexão com o mercado de trabalho. E se pensarmos em mulheres, temos uma situação prática sobre a vida familiar, da qual muitas constituem famílias e muitas vezes optam (ou não) por ter filhos e isso impacta diretamente o reingresso ao mercado de trabalho.

Ilana Ribeiro, estagiária de TI
Essa mudança no cenário doméstico causou um efeito que só foi sentido muito adiante. As meninas que cresceram com PCs não tiveram incentivos suficientes para utilizar os computadores, enquanto os meninos foram superestimulados. Danielle Costa, professora da UFPA, explica que não só as escolhas culturais, mas também a baixa representatividade afeta a escolha de profissão das garotas: “[...] muitas mulheres por não terem o estímulo de suas famílias [...], acabam indo para outras áreas; saúde, ensino, onde o número de mulheres é maior. A primeira dificuldade que a menina vai ver hoje é que tem pouca mulher cursando [na T.I.]”.

A mudança nos ambientes da informática fez com que certos costumes criassem raiz, entre eles o sexismo e o machismo. Essas condutas fazem com que a entrada de mais mulheres na área da computação seja difícil e às vezes até mesmo turbulenta. Ilana Ribeiro, estagiária da Suzano S/A, conta: “às vezes entro em fóruns ou em grupos de tech e [...] não posso fazer uma pergunta simples e sou taxada de burra ou escuto comentários do tipo ‘não sabe isso? Vai lavar uma louça’”.

O mercado é um reflexo das práticas acadêmicas, e muitas vezes as práticas não convêm com o as necessidades do mercado, especialmente quando a equidade de gênero é relevante. Tatiana Pará, professora de geotecnologias do IFPA, explica: “[...] Quanto a formação acadêmica tod@s passam pelas mesmas disciplinas e estão aptos a trabalhar no mesmo nicho.[...] Saímos da universidade, por exemplo, e não há um plano de egressos que oportunize a conexão com o mercado de trabalho. E se pensarmos em mulheres, temos uma situação prática sobre a vida familiar, da qual muitas constituem famílias e muitas vezes optam (ou não) por ter filhos e isso impacta diretamente o reingresso ao mercado de trabalho”.
Essa marcação faz com que grupos, eventos e incentivos voltados para o público feminino sejam necessários para que a parcela feminina se sinta aceita e parte de uma comunidade. Ilana comenta: “criamos várias comunidades para que as meninas se sintam à vontade em conversar ou compartilhar o que quiserem, seja sobre tech ou não”.

O desrespeito não só separa e aliena a comunidade, como também pode afetar o desempenho de equipes, criando uma estagnação no processo criativo que impede o desenvolvimento de soluções. Joseline Melo, gerente de projetos da Equilibrium Web, afirma: “Atualmente, acredito que a dificuldade é em estar em um ambiente de trabalho mais heterogêneo, em que vou poder estar discutindo com pessoas que tenham pontos de vistas diversos, ter uma equipe muito homogênea e sem diversidade muitas vezes dificulta a criação de bons produtos”.

O mercado é um reflexo das práticas acadêmicas, e muitas vezes as práticas não convêm com o as necessidades do mercado, especialmente quando a equidade de gênero é relevante. Tatiana Pará, professora de geotecnologias do IFPA, explica: “[...] Quanto a formação acadêmica tod@s passam pelas mesmas disciplinas e estão aptos a trabalhar no mesmo nicho.[...] Saímos da universidade, por exemplo, e não há um plano de egressos que oportunize a conexão com o mercado de trabalho. E se pensarmos em mulheres, temos uma situação prática sobre a vida familiar, da qual muitas constituem famílias e muitas vezes optam (ou não) por ter filhos e isso impacta diretamente o reingresso ao mercado de trabalho”.

Ada Lovelace, primeira programadora da História

Apesar das dificuldades, as moças lutam para fazer seus valores e habilidades notados. Ilana afirma: “tive pessoas ao meu redor que pensam fora da caixa e deixam seus preconceitos fora do ambiente de trabalho. [...] Me sinto completamente [...] preparada pra enfrentar qualquer desafio posto a mim no mercado de trabalho”.

A maior parte do mercado de TI atualmente é composta por homens, mas a presença e colaboração das mulheres é histórica. Ada Lovelace, filha do poeta Lorde Byron, foi uma matemática que escreveu o primeiro algoritmo da história. Mary Kenneth Keller, freira norte americana, ajudou a desenvolver a linguagem de programação didática BASIC. Hedy Lamarr, atriz e inventora austríaca, co-criou o sistema que deu origem à telefonia celular. A colaboração delas não pode ser esquecida, muito menos apagada.

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